"É engraçado, mas quando eu escrevo pouco significa que tá tudo indo bem. Por mais que eu ainda tenha os meus medos e confusões, estou olhando menos para trás. Sei que isso não dura muito e a qualquer hora alguém me tira do sério e me faz escrever sem parar. No fundo é isso o que eu quero. No fundo é isso que a gente quer: alguém que nos enlouqueça. Essa paz o tempo todo chega a ser chata."

Querida Igreja, saiba por que realmente estamos te deixando…


Carta de um pastor à sua igreja se passando por alguém que quer sair:



Estar do outro lado do Êxodo é horrível, não é? Eu vejo pânico em seu rosto, igreja.

Eu sei do terror interno que cresce em você à medida em que vê as estatísticas, ouve as histórias e examina as pesquisas de saída.

Eu te vejo desesperadamente se atrapalhando para fazer o controle de danos com os que ficaram, e tentando fabricar paixão com uma fé que só encolhe, e eu quero te ajudar.

Você pode achar que sabe a razão de as pessoas estarem te deixando, mas eu não acho que você saiba.

Você acha que é porque a “cultura” está tão perdida, tão perversa, tão além do limite que está fazendo todos irem embora.

Você acredita que a razão principal dessa evasão é que eles fecharam seus ouvidos para a voz de Deus; buscando dinheiro, sexo e coisas materiais.

Talvez você até ache que os gays, os Muçulmanos, os Ateístas e as estrelas pops esculhambaram tanto a moralidade do mundo que as pessoas estão abandonando a fé aos montes.

Mas estas não são as razões pelas quais as pessoas estão te deixando.

Elas não são o problema, Igreja.

Você é o problema.

Deixe-me elaborar em cinco questões…

1 – Seus cultos se tornaram ralos.

O púlpito ornamentado, as luzes, a equipe de louvor, o novo projetor de vídeo, tudo isso se tornou um ruído para aqueles que realmente estão tentando encontrar Deus. Eles até agradam e distraem por uma hora, mas possuem tão pouca relevância na vida diária das pessoas que elas estão zarpando.

Claro, as músicas são lindas e o programa é ótimo, mas ultimamente o Sábado/Domingo de manhã não está fazendo muita diferença na Terça a tarde ou na quinta a noite, quando as pessoas estão lutando com o desastre, com a bagunça e com as dores adquiridas nas trincheiras da vida; nos lugares onde uma bela doxologia não ajuda.

Nós podemos ser entretidos em qualquer outro lugar, inclusive com mais qualidade. Até que você nos dê algo mais do que uma peça teatral de temática cristã, algo que nos proporcione espaço e fôlego e relacionamentos e diálogos, muitos de nós iremos permanecer aqui fora.

2 – Você está usando uma língua estrangeira.

Igreja, você fala e fala e fala, mas está usando uma língua morta. Você se apega a palavras empoeiradas que não possuem ressonância nos ouvidos das pessoas, sem perceber que apenas falar essas palavras mais alto não é a resposta. Todas as expressões e palavras-chave que funcionavam 20 anos atrás não funcionam mais.

Essa linguagem interna espiritualizada pode te dar certo conforto em um mundo que está mudando, mas este é um pensamento egoísta e apenas mantém as pessoas a uma certa distância. Elas precisam te ouvir em uma linguagem que possam entender. Existe uma mensagem que vale a pena ser compartilhada, mas é difícil ouvir no meio te tanta pirotecnia verbal.

As pessoas não precisam ser deslumbradas com algo grande, palavras igrejeiras, painéis escatológicos e sistemas teológicos complicados. Fale com elas de forma clara e abundante sobre amor, alegria, perdão, morte, paz, Deus, e elas ouvirão. Mantenha o discurso interno e em breve as palavras ecoaram em um prédio vazio.

3 – Sua visão não vai além das paredes.

Os bancos confortáveis, o equipamento de última geração, o novo sistema de ventilação e a ala infantil são top de linha… e caros. Na verdade, a maior parte do seu tempo, dinheiro e energia parece ser atrair as pessoas para onde você está ao invés de alcançá-las onde elas já estão.

Ao invés de simplesmente caminhar na vizinhança ao seu redor e se associar às coisas maravilhosas que já estão acontecendo, e as coisas belas que Deus já está fazendo, você parece satisfeita em anunciar a franquia da sua marca particular de Jesus, e esperar que o mundo pecador bata em sua porta.

Você quer alcançar as pessoas que estão perdidas? Saia do prédio.

4 – Você escolhe batalhas pobres.

Nós sabemos que você gosta de lutar, Igreja. Isso é óbvio.

Quando você quer, você vai pra guerra com artilharia pesada. O problema é que suas batalhas são mal direcionadas. Protesto contra fast-food, reality-show, piada ruim sobre o cristianismo na tv. Tudo isso pode gerar um alvoroço no Facebook e no Twitter do lado de dentro, para os já convencidos, mas são apenas fogo de palha para os que estão aqui fora com sangue nas botas.

Todos os dias vemos um mundo sufocado pela pobreza, racismo, violência, intolerância e ódio; e em face dessas questões, você fica estranhamente, assustadoramente calada. Nós gostaríamos que você fosse mais corajosa nessas batalhas, pois assim, teríamos prazer em ir à guerra com você.

Igreja, nós precisamos que você pare de ser guerrilheira contra o trivial e indiferente quanto ao terrível.

5 – Seu amor não parece amor.

Amor parece ser uma grande questão para você, Igreja, mas não sabemos onde ele vai parar quando a coisa fica mais séria. Na verdade, mais e mais, esse slogan de amor parece incrivelmente seletivo e definitivamente estreito; filtrando toda a gentalha cristã, que infelizmente parece incluir demasiados de nós.

Sinceramente? Parece uma dessas propagandas enganosas com letrinha miúdas no canto baixo da TV. Anunciam uma festa do tipo “Venha como estás”, mas fazem questão de deixar claro que uma vez que tenhamos chegado à porta, não podemos realmente entrar como estamos. Nós vemos um Jesus na Bíblia que andava com a gentalha da sociedade, prostitutas e trapaceiros, e os amava ali mesmo, mas essa não parece ser a sua concepção de amor, não é?

Igreja, você consegue nos amar se não preenchermos todos os requisitos doutrinários e não tivermos nossa teologia toda desvendada ainda?

Você consegue nos amar se xingarmos, bebermos, fazermos tatuagens, ou Deus nos livre, ouvirmos rock? Não acho que consigam.

Você consegue nos amar mesmo que não saibamos ao certo como definir amor, casamento, céu, inferno? Não parece.

Do que sabemos sobre Jesus, acreditamos que ele se pareça com o amor. O grande infortúnio, é que você não se parece muito com Ele.

Essa é uma parte da razão pela qual as pessoas estão te deixando, Igreja.

Estas palavras podem te deixar muito, mas muito zangada, e talvez você revide dando um contragolpe na jugular para se defender, ou talvez ataque estas declarações linha por linha, mas nós gostaríamos muito que você não fizesse isso.

Nós gostaríamos que você se sentasse em silêncio com essas palavras por um tempo, porque quer você acredite que elas estão certas ou erradas, é isso que estamos sentindo, e essa é toda a questão.

Nós somos os que estamos saindo.

Queremos importar para você.

Queremos que você nos ouça antes de debater conosco.

Nos mostre que seu amor e seu Deus são reais.

Igreja, nos dê uma razão pra ficar.

“Não sou eu, é você.” Parece que é isso que você está dizendo, Igreja.

Estou tentando abrir meu coração com você. O meu e o de milhares e milhares de pessoas iguais a mim que estão indo embora. Tudo isso para você saber do dano que você está nos causando e do doloroso legado que está deixando, e aparentemente, o problema não é você.

O que na verdade não deixa de ser um problema.


Eu prostrei minhas frustrações em seu interior, em sua retórica religiosa, e você me respondeu com um corta e cola de passagens aleatórias das Escrituras, insistindo que o problema real é apenas ignorância bíblica, sugerindo que eu só preciso me arrepender e comprar uma Concordância, seja lá o que for isso.

Eu te deixei saber o quão julgado e ridicularizado eu me sinto quando estou com você, o quão desesperado e caído eu me sinto no interior de sua comunidade, e você prossegue me dizendo o quão perdido eu estou, o quão perdidamente apaixonado pelo meu pecado eu devo estar para te deixar, me lembrando, na saída, que eu nunca pertenci a você de qualquer forma.

Em face de qualquer reclamação e mágoa, você deixou claro que o real motivo é que eu sou pecador, imoral, herético, tolo, das trevas, egoísta, consumista ou simplesmente ignorante.

E para falar a verdade, na maioria dos dias eu nem discordo de você nesse aspecto.

Talvez você esteja certa, Igreja.

Talvez eu seja o problema.

Talvez seja eu, mas eu é tudo o que sou capaz de ser neste momento, e é aqui que eu tinha esperanças que você pudesse me encontrar.

É aqui, em meu falho, bagunçado, ferido, chocado, duvidoso, desiludido e ameaçador mundo que eu esperava que você pudesse me encontrar com esse suposto e audacioso amor de Jesus que eu tanto ouvi falar.

Igreja, eu sei o quanto você despreza a palavra Tolerância, mas neste momento, eu realmente preciso que você me tolere, que você tolere aqueles de nós que, por qualquer que seja a razão e que você ache injustificável, estão lutando para ficar.

Estamos tão cansados de nos sentirmos como se fossemos apenas uma agenda religiosa; um argumento a ser ganho; um ponto a deixar claro; uma causa a defender; uma alma pra conquistar.

Nós queremos ser mais do que uma estrela na sua coroa; um número no seu relatório de batismos.

Nós precisamos ser mais do que respostas a apelos, que são aplaudidos no altar, e então esquecidos quando a música acaba.

Estamos orando para que você pare de nos doutrinar, de nos julgar, de nos condenar, de diagnosticar nossos pecados, apenas tempo suficiente para nos ouvir…

… mesmo que nós sejamos o problema.

Mesmo se formos a mulher em adultério, ou o seguidor em dúvida, ou o pródigo rebelde, ou o jovem endemoninhado, pois não conseguimos ser outra coisa neste momento. E é neste momento que precisamos de uma igreja que seja grande o suficiente, firme o suficiente, amorosa o suficiente, não apenas para nós como poderemos vir a ser um dia, mas para nós como somos, agora.

Ainda acreditamos que Deus é grande o suficiente, firme o suficiente, amoroso o suficiente, mesmo que você não seja, e é por isso que mesmo que estejamos te deixando, não significa que estamos abandonando nossa fé; é só que nesse momento, a fé parece mais alcançável em outro lugar.

Eu sei que você vai argumentar que está fazendo todas essas coisas e dizendo todas essas coisas porque você nos ama e se importa conosco, mas do lado de cá, você precisa saber que se parece menos com amor e preocupação e mais com distância e silêncio.

Se alguém está frustrado, dizer a ele que é errado estar frustrado é, bem, muito frustrante.

Apenas gera distância.

Se alguém compartilha que seu coração está ferido, ele não quer ouvir que não tem o direito de estar ferido.

É uma quebra no diálogo.

Se alguém te diz que está faminto por compaixão, relacionamento e autenticidade, a última coisa que ele precisa é ser censurado por estar com fome.

É um chute no traseiro enquanto sai pela porta.

Portanto sim, Igreja, mesmo que você esteja certa, mesmo que estejamos totalmente errados, mesmo que sejamos todos mesquinhos, auto-centrados, hipócritas, críticos, e devo dizer pecadores, nós ainda somos aqueles que estão procurando por um lugar onde possamos pertencer e sermos conhecidos; um lugar onde Deus habite, e só você pode nos mostrar isso.

Mesmo que o problema seja eu, sou eu quem você precisa alcançar, Igreja.

Então, pelo amor de Deus, me alcance!

John Pavlovitz
johnpavlovitz.com
tradução livre: Cristãos Cansados

Eu finalmente achei o que eu precisava ler nesses últimos meses. 
Compartilhei aqui, sobretudo, para que eu possa ler todas as vezes que voltar nesse blogger.
O melhor texto, sem dúvidas. Obrigada, John Pavlovitz. De coração mesmo.

O nome significa alegria plena, mas nem sempre é assim



O nome Letícia, que tem origem no latim tem por essência em seu significado "alegria plena". Temos, portanto, a tendência de imaginar que todas as meninas do mundo, que possuem esse nome, sejam alegres por natureza e tragam sempre alegria ao ambiente. Inclusive, acabamos exigindo isso delas. Mas isso mudou quando, em uma das minhas experiências de viagens pelo mundo, conheci a mais intrigante de todas. Seu nome é Letícia Freires, reside no Brasil no estado do Espírito Santo e tem 17 anos.
Ela é divertida e engraçada, o que é comum nas demais que carregam seu nome, porém, em uma das entrevistas que fazia com ela percebi que ela era diferente. Reparei com atenção em uma de suas declarações: ‘’ fica cada dia mais impossível conquistar essa menina aqui ...’’ ‘’acho que tenho isso daí (se referindo ao complexo de inferioridade) ...’’ como isso seria possível? Percebi então que ela não era perfeita como costumava pensar. Ela era mortal, tinha problemas como todo mundo e nem sempre estava sorrindo, talvez nem sempre permitia que os outros vissem que ela estava triste, porque queria parecer  sempre essa menina super forte que todo mundo pensa. As suas kryptonitas estão bem escondidas e ela não vai permitir que ninguém saiba que ela tem momentos de fraqueza. Caramba, que menina fora do comum! Fiquei cada vez mais curioso pela sua história, tentando decifrar cada detalhe simples que nas entrevista ela deixava escapar para tentar formar esse tão complexo quebra cabeça.
Bem, sou limitado demais para entendê-la em sua totalidade, porque há muitos caminhos dentro de uma menina só, mas quero apresentar-lhes a teoria que criei sobre ela.
Ela é sim uma heroína. Super forte, com uma capacidade de chegar muito longe, porém sua kryptonita é a sua mente, ora sua mente super poderosa entra em cena e ela está super feliz e trazendo alegria a  todos, ora sua mente lhe trai com pensamentos que a deixam sem forças pra crer em coisas fundamentais, como, por exemplo: ser feliz no futuro e ir para várias praias do mundo surfar com sua filhinha que terá o seu nome e com o seu marido que ficará olhando para as duas todo emocionado. Ora está radiante, ora se pergunta "será que eu vou me tornar alguém digna de orgulho?"
Sim, volto a dizer, ela é super forte. Mas como essa kryptonita pode atrapalhar tanto este ser tão extraordinário? Passei dias me perguntando isso, e ao consultar o maior de todos os meus livros de estudo, o livro a qual encontro resposta para todos meus questionamentos (a bíblia), e encontrei um ser também extraordinário chamado Paulo, todos o tinham como herói que trazia alegria ao ambiente, o Criador deu a ele o que ninguém de sua época tinha. Porém, também tinha uma kryptonita, como a nossa entrevistada, Paulo declarou : ‘’o bem que quero fazer não faço , mas o mal que não quero fazer isso faço ‘’ era a mesma Kryptonita. A mente de Paulo o traia e ele, ora fazia o que devia, sentia e o que devia ora estava mal. E ele não sabia como vencer essa kryptonita, quando um dia o criador disse a ele: "Paulo, não se preocupe porque o meu poder vai trabalhar nas suas fraquezas". Então, Paulo disse: "quando estou fraco é então que estou forte, porque venço minhas limitações através do poder do Criador". Entendi que a minha entrevistada era como o nosso herói Paulo, tinha a mesma kryptonita, sendo esta, possível de colocar um fim. Fui embora ao terminar a entrevista na esperança de receber notícias que a nossa heroína tenha descoberto o segredo pra vencer suas fragilidades, que ela não tenha sempre que se mostrar forte, que não precisa ter vergonha de chorar, que não tenha medo de sonhar e que ela entenda que sempre será a nossa heroína!
Elias Mauricio, Rio de Janeiro. Janeiro de 2015.


“Quero viver bem! Este ano que passou foi um ano cheio. Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões. Normal. As vezes a gente espera demais das pessoas. Normal. A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor que acabou. Normal.”
— Carlos Drummond de Andrade.



"Há três coisas que levam o nome de “Natal”. A primeira é a festa religiosa. Ela é importante e obrigatória para os cristãos mas, já que não é do interesse de todos, não vou dizer mais nada sobre ela. A segunda (ela tem conexões histórias com a primeira, mas não precisamos falar disso aqui) é o feriado popular, uma ocasião para confraternização e hospitalidade. Se fosse da minha conta ter uma “opinião” sobre isso, eu diria que aprovo essa confraternização. Mas o que eu aprovo ainda mais é cada um cuidar da sua própria vida. Não vejo razão para ficar dando opiniões sobre como as pessoas devam gastar seu dinheiro e seu tempo com os amigos. É bem provável que elas queiram minha opinião tanto quanto eu quero a delas. Mas a terceira coisa a que se chama “Natal” é, infelizmente, da conta de todo mundo.


Refiro-me à chantagem comercial. A troca de presentes era apenas um pequeno ingrediente da antiga festividade inglesa. O Sr. Pickwick levou um bacalhau a Dingley Dell [1]; o arrependido Scrooge [2] encomendou um peru para seu secretário; os amantes mandavam presentes de amor; as crianças ganhavam brinquedos e frutas. Mas a idéia de que não apenas todos os amigos mas também todos os conhecidos devam dar presentes uns aos outros, ou pelo menos enviar cartões, é já bem recente e tem sido forçada sobre nós pelos lojistas. Nenhuma destas circunstâncias é, em si, uma razão para condená-la. Eu a condeno nos seguintes termos.


1. No cômputo geral, a coisa é bem mais dolorosa do que prazerosa. Basta passar a noite de Natal com uma família que tenta seguir a ‘tradição’ (no sentido comercial do termo) para constatar que a coisa toda é um pesadelo. Bem antes do 25 de dezembro as pessoas já estão acabadas ― fisicamente acabadas pelas semanas de luta diária em lojas lotadas, mentalmente acabadas pelo esforço de lembrar todas as pessoas a serem presenteadas e se os presentes se encaixam nos gostos de cada um. Elas não estão dispostas para a confraternização; muito menos (se quisessem) para participar de um ato religioso. Pela cara delas, parece que uma longa doença tomou conta da casa.


2. Quase tudo o que acontece é involuntário. A regra moderna diz que qualquer pessoa pode forçar você a dar-lhe um presente se ela antes jogar um presente no seu colo. É quase uma chantagem. Quem nunca ouviu o lamento desesperado e injurioso do sujeito que, achando que enfim a chateação toda terminou, de repente recebe um presente inesperado da Sra. Fulana (que mal sabemos quem é) e se vê obrigado a voltar para as tenebrosas lojas para comprar-lhe um presente de volta?


3. Há coisas que são dadas de presente que nenhum mortal pensaria em comprar para si ― tralhas inúteis e barulhentas que são tidas como ‘novidades’ porque ninguém foi tolo o bastante em adquiri-las. Será que realmente não temos utilidade melhor para os talentos humanos do que gastá-los com essas futilidades?


4. A chateação. Afinal, em meio à algazarra, ainda temos nossas compras normais e necessárias, e nessa época o trabalho em fazê-las triplica.


Dizem que essa loucura toda é necessária porque faz bem para a economia. Pois esse é mais um sintoma da condição lunática em que vive nosso país ― na verdade, o mundo todo ―, no qual as pessoas se persuadem mutuamente a comprar coisas. Eu realmente não sei como acabar com isso. Mas será que é meu dever comprar e receber montanhas de porcarias todo Natal só para ajudar os lojistas? Se continuar desse jeito, daqui a pouco eu vou dar dinheiro a eles por nada e contabilizar como caridade. Por nada? Bem, melhor por nada do que por insanidade."


C. S. Lewis


Notas:


[1] Samuel Pickwick é o personagem principal de Pickwick Papers, romance de Charles Dickens no qual suas aventuras são narradas. Dingley Dell é o nome de uma fazenda, um dos cenários do romance. (N. do T.)


[2] Referência ao avarento milionário Ebenezer Scrooge, personagem da obra Um Conto de Natal, de Charles Dickens. (N. do T.)









Fonte: Publicado originalmente em God in the dock ― Essays on Theology and Ethics (Deus no banco dos réus ― Ensaios sobre Teologia e Ética), 1957


"Contado excluído com sucesso da lista telefônica." Foi o que me informou a tela do celular, porém, o que eu queria ver de verdade era: "Contado excluído da memória com sucesso." Porque a memória -local onde guardamos idéias, sensações e impressões adquiridas anteriormente - sempre será um ligar difícil de limpar, todo mundo sabe. Tipo quarto de gente velha, sabe? Onde cada canto há um pedaço de história e experiência de vida, muito importante por sinal.
Não tem jeito. Por mais tranquila que eu esteja e tenha aceitado o fato como um acontecimento comum da vida, vou me lembrar de você. Não necessariamente por toda a vida (Deus me livre) e nem por algumas horas apenas (quem me dera), mas sim.. Por algum tempo, me lembrarei sim.
Já exclui as músicas que me faziam lembrar subitamente de você, e já me livrei do sabonete líquido de fragrância de folhas verdes e Bergamota que, por coincidência, é a mesma essência do teu carro (ou é muito similar, enfim). Também já apaguei nossas conversas e as fotos das tatuagens que achei parecidas com a sua futura, e as que iria te mostrar também.
Enfim, me livrei de tudo que pude! Mas não foi o suficiente. Sempre tem aquele lugar onde costumávamos frequentar, sempre tem as músicas e séries em comum. O teu nome, teu bairro, tua faculdade. Coisas que são ridículas -como você - mas que vem involuntariamente á tona na lembrança.
Talvez eu devesse me acostumar com a banalidade das coisas, com o jeito de como tudo se tornou passageiro. Mas, não vou desistir não. E prefiro viver concordando com o Graciliano Ramos, que um vez escreveu assim:"Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício. Acho medonho alguém viver sem paixões". E digo mais também, concordo com Matheus Rocha, um perfeito neologista, que certo dia (me) escreveu e afirmou: "Tenho plena consciência de que nunca usei ninguém. Nunca quis um passatempo. Nunca fiz ninguém de tapa-buracos para as crateras do meu coração. Sempre reservei espaços úmido àqueles que entraram nessa bagunça do meu peito. E não me arrependo, porque no fim, é isso que importa. O que você deixou de bom na vida de alguém."

Pra você, Pai



Porque além de PAI, Tu és amigo, refúgio, consolo, segurança, abrigo... És perfeição, Deus... Obrigada.
Logicamente não é por conta dessa data comemorativa que Tu se transformas em tudo isso na minha vida. O Senhor sempre foi o meu verdadeiro Pai. Antes de tudo! Durante tudo e serás para sempre!
E eu só confio em Ti para chamar de Pai. Confio somente no Teu amor, Deus.
Mesmo visitando a Tua casa uma vez por semana - as vezes nem isso-, o Senhor me recebe de braços abertos! Mesmo não honrando sempre a coroa que me destes e não reservando todos os dias um tempo para Te ouvir e ler tudo o que escreveu para mim no livro da vida, o Senhor me ama.. Mesmo sendo tão humana, o Senhor continua me amando! Obrigada por me receber em Tua casa mesmo desse jeito. E como um PAI, Tu convidas para entrar, lava minhas feridas, enxuga minhas lágrimas, ajeita minha coroa e me acolhe em Teus braços... "Espírito Santo, é incrível como me sinto quando invade o meu ser... Não dá pra explicar a vontade que tenho de chorar quando o meu coração arde com Tua presença. Quando entro na casa do PAI, me esvazio de tudo pra que você me enchaa com apenas o que é seu. Nada que vem de mim quero manter! Sou ser humano mas escolho hoje viver pelo espírito. Escolho estar na casa do PAI selando um novo tempo, vivendo um novo... Eu prefiro Te ouvir e cumprir o meu chamado, Espírito de Deus!"
Não somente no dia dos pais, mas que o Senhor continue sendo o melhor PAI de todos pelo resto da minha vida.
Eu aceito te entregar todo o meu ser, Deus.

Com amor,
sua filha.


"Na cama, á noite, enquanto penso em meus muitos pecados e em meus defeitos exagerados, fico tão confusa pela quantidade de coisas que tenho de analisar que não sei se rio ou choro, dependendo do meu humor. Depois durmo com a sensação estranha de que quero ser diferente do que sou, ou de que sou diferente do que quero ser, ou talvez de me comportar diferente do que sou ou do que quero ser.
Minha nossa, agora estou confundindo você também. Desculpe, mas não gosto de embaralhar as coisas, e, nesses momentos de escassez, arrancar uma folha de papel é um tabu. Por isso, só posso aconselhar você a não ler de novo a passagem acima e a não tentar chegar ao fundo, porque nunca vai encontar a saída."
                                         - (Sábia) Anne Frank